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Segura!

Bem lembrado, Zé Pilintra. Segura!

''Botei minha mulher num adivinhadalho com pimenta salsa e alho!''


 1 - Divinhadalho (Ari do Cavaco/Pimpolho)
     2 - Castigo na Nega (Dida/Everaldo da Viola)
   3 - Do Samba não vou Sair (Silvio Modesto)

Malandragem pura...

 '' Artisticamente falando Bezerra da Silva tem muito valor
Toca surdo, toca tamborim, canta partido alto e é compositor ''


José Bezerra da Silva 


         Grande Bezerra , malandro de primeira. Bezerra nasçeu em Recife , em 09/03/1927 , desde pequeno jà era ligado a musica , jà apresentava o dom de tocar. Veio para o Rio de Janeiro aos seus 15 anos , dizem que ele veio escondido em um navio indo atràs de seu pai que saiu de casa quando Bezerra ainda era pequeno. Causando atritos com seu pai foi morar no Morro do Cantagalo, trabalhando de pintor, ele tambèm era intrumentista de percussão rapidinho entrou para um bloco carnavalesco , quando um dos componentes levou Bezerra para uma Ràdio em 1950 ( Ràdio Clube do Brasil ) .
         Por muito tempo , Bezerra viveu como mendigo em Copacabana , onde tentou um suicìdio e foi salvo pela sua religião.
         No começo ele gravou mùsicas sem sucesso mas a partir da sèrie PARTIDO ALTO NOTA 10, começou a encontrar seu pùblico e dai pra frente foi sò alegria. Em 1998 o malandro virou um livro, Bezerra da Silva - Produto do Morro, de Letìcia Vianna. Em 2001 entrou para uma igreja evangèlica atravès da Igreja Universal do Reino de Deus e em 2003 gravou o CD CAMINHO DE LUZ, com musicas gospel. Em 2005 perto de sua morte participou de composições com Planet Hemp, Rappa e outros nomes da mùsica popular brasileira. 



         Bezerra morreu na manha, segunda feira, dia 17 de Janeiro de 2005 aos 77 anos, depois de sofrer uma parada cardìaca, foi velado em um teatro chamado '' TEATRO JOÃO CAETANO '' , no Rio de Janeiro.
         Bezerra se foi mais deixou muita obra boa aqui no nosso mundão , muito partido bom. Tem um documentàrio bom que se chama : ONDE A CURUJA DORME . Bom demais esse documentàrio , mostra os compositores deles , defendendo o MORRO, aqui vai um pequeno video desse documentàrio : 



         È isso aê rapaziada!

Padeirinho... !


Osvaldo Vitalino de Oliveira, Padeirinho. 


            Partideiro , criado no morro da mangueira , começou a compor aos seus 12 anos. Recebeu seu apelido de '' PADEIRINHO '' por ser filho de um padeiro. Trabalhou como estivador e da limpeza publica do Rio de Janeiro. Entrou para  a ala de compositores em 1947 , quando apresentou o samba '' Mangueira desceu pra cantar '' . Escreveu o samba '' MORA NO ASSUNTO '' , com Quincas do Cavaco , que foi sua primeira composição na voz de Jamelão ( 1950 ) . Com Quincas do Cavaco fez tambèm : Fofoca no morro e Vida de Operario. Seus sambas mais conhecidos são : Favela , Linguagem de Morro e Como serà o ano de 2000?. 
            Padeirinho tocava pandeiro e tarol , considerado habilidoso nos improvidos e partido-alto. Faleceu um pouco depois da morte da sua esposa MIDA , com que viveu por 40 anos. 
  
Alguns sambas de Padeirinho :



Ja curei minha dor 
na voz de Candeia!

Jà curei
Minha dor
Hoje sou feliz 
Graças a Deus me sinto bem
Tenho um grande amor
Correspondido por alguèm
Jà não sou
Aquele homem sofredor
Pelo amor de Deus
Não vem falar do meu passado
Hoje sou um homem realizado
Tenho um grande amor
Correspondido atè demais
Sò peço por favor
Me deixa em paz



Linguagem do Morro 
Na voz de Tantinho da Mangueira
( no video Tantinho ainda fala sobre o Padeirinho )

Tudo là no morro è diferente
Daquela gente não se pode duvidar
Começando pelo samba quente
Que atè um inocente 
Sabe o que è sambar
Outro fato muito importante
E tambèm interessante 
È a linguagem de la
Baile là no morro è fandango
Nome de carro è carango
Discussão è bafafà 
Briga de uns e de outros
Dizem que è burburim
Velòrio no morro è gurufim 
Erro là no morro chama de vacilação 
Grupo do cachorro em dinheiro è um cão
Papagaio è radio 
Grinfa è mulher 
Nome de otàrio è Zè Manè 





Mora no Assunto
Tantinho , Jamelão ( esse outro camarada acho que è filho de Padeirinho , Bira Show que è nome eu acho. )

Mora no assunto e vê se te manca
Te admiro muito você dando bronca
ora deixe disso, que è fogo na roupa 
Sabe là o que è isso?
Então, mudou
Te Dei o serviço e você não morou

Nessas alturas tenho que lhe esculachar
Pra seu governo, você deve se mancar
Como è que pode você dar tanta mancada?
Tenteia a volta e deixa de chinfra , meu camarada 
Como è que è? Vê se mora na jogada


-- 

Partido Alto!...

O QUE E SAMBA PARTIDO ALTO ? 


            O samba partido alto è uma das magias dos negros que baixaram e saravaram neste teu/nosso paìs crioulo , sèc. XVI ( 1530 ). A Bahia de todos Os sagacidade soube cuidar dos Orixàs, dos temperos, da capoeira, da umbigada, do braço forte e da resistência guardada nos ventres das mães africanas que pariram as tias baianas , mães de Tia Ciata , de Tia Bebiana, Tia Dadà e outras.

È ISSO AÌ GENTE BOA!...


            Partido alto è isso aì. È uma modalidade ou gênero de samba que tem base no batuque africano e que sedimentou-se nos morros e favelas do Rio de Janeiro, là  pelos idos de 1870/80/90, quando o negro foi '' expulso '' do meio rural e jogado eira nem beira no mundo urbano. Sua origem è a dança de umbigada, marcada no ritmo de destaque por palmas, prato de cozinhas raspado por faca, caxixì, reco-reco, chocalho, pandeiro , cavaquinho, tamborim , violão e vàrios instrumentos improvisados.
            A expressão '' partido alto '' tem a ver com a pròpria dignidade dessa modalidade do samba, cultivado por poucos sambistas/partideiros. No samba de partido alto prevalece o refrão, a percussão e a sustentação rìtmica. A improvisação de quadras ou sextilhas nos hiatos das melodias ( de pura intuição ) è o grande achado na arte de compor um partido.
            Um partido alto de domìnio popular è '' Dona Maria Devagar '' , cantado por Clementina de Jesus :

Dona Maria devagar
Mata boi sem segurar 
Dona Maria devagar 
Mata boi sem segurar

Menina de doze anos
Chora pra me acompanhar


Dona Maria devagar
Mata boi sem segurar 
Dona Maria devagar 
Mata boi sem segurar 

Tereza tà me esperando em casa
Pra gente jantar 

Dona Maria devagar
Mata boi sem segurar
Dona Maria devagar
Mata boi sem segurar

Toda carne desse boi 
È pro sargento devorar

Dona Maria devagar
Mata boi sem segurar
Dona Maria devagar
Mata boi sem segurar

Todos os ossos estão guardados
Para o Mano Anescar

Dona Maria devagar
Mata boi sem segurar
Dona Maria devagar
Mata boi sem segurar

Canta quem è partideiro
Canta quem sabe cantar...

Dona Maria devagar
Mata boi sem segurar
--


            Os partideiros do passado compunham e não se preocupavam com  a autoria, queriam mesmo era dar vazão a seu descontentamento  em relação a à labuta cotidiana no cais do porto, descarregando e carregando navios, trens , caminhões. Outros teimavam em viver como ainda vivem : Trabalhando de carpinteiros, pedreiros, marcineiros, funileiros, pintores de paredes, barbeiros, engraxates, lixeiros, motoristas, faxineiros, ambulantes ou necessitando a companhia da marginalidade para poderem sobreviver no lapidar dum punhado de profissões que sò sobram pros descarregados da sorte ou simplesmente os esquecidos por Deus. 
            Os sambistas/partideiros atè hoje são preferidos da polìcia. O compositor Cartola tinha marcas no corpo que registravam as delicadezas recebidas das mãos dos que afirmam '' ortoridades  '' e no cumprimento  da '' Lei '' não podem enxergar um crioulo carregando um vilão, um cavaquinho ou um pandeiro debaixo do braço. 
            São famosas as '' estòrias '' dum delegado de polìcia do Rio de janeiro, que não surpotando ficar inativo, pedia para que os soldados fossem buscar uns crioulos, pra quebrarem a monotonia da delegacia. Os sambistas/partideiros muitas vezes jà sabiam que a '' visita forçada '' era pra alegrar o '' dotor delegado ''   , que por castigo, ou destino, era tio do poeta-diplomata-compositor Vinicius de Moraes. Nem se precisa contar que os partidos altos nascidos la dentro não era nenhum boi-com-abòbora : eram partidões da melhor qualidade, o '' home '' era duro e manjava no segredo do partido alto. 


Mais um texto tirado da minha revista chamada :  PARTIDO ALTO!
De um amigo chamado : Fernando Damaceno

Partido Alto, o som dos REIS NAGÔS

           Não foi nada fàcio para o negro , não. Enfiado em porões imundos de cargueiros, atravessou mares e foi plantado em terras que, mesmo parecendo com a sua , pertencia a brancos de lìngua estranha. Sob chicote foi jogado na enxada e logo teve que aprender que não tinha alma, apenas uma raça - de mùsculos fortes e sem lìngua .
          Suas cantorias, seus amores, sua vida. Nada disso existia. Negro não era de pensar e sentir. O branco sò esqueceu de uma coisa : a matreirice do negro. Matreiro ele dizia pro patrão que acreditava nos santos brancos, frios, de pedra. na senzala, sua morada, louvava os orixàs, pretos como eles, fortes, quentes, suados. E cantava , depois da roça, pra esquecer o branco, pra lembrar de suas terras. Esperto , aproveitou sua ginga de cintura, sua ligeireza de pernas para inventar uma luta disfarçada de dança. Quando o branco vinha de arma na mão, levava uma pernada no meio do pescoço. E feito uma galinha d'angola , estrebuchava.
          O negro não venceu. Mas se poupou no que pôde. Das senzalas foi jogado para os barrancos dos morros. '' livre '' entoou sua cantoria là de cima e sua voz desceu as quebradas, chegou às vilas  e entrou pelos ouvidos brancos, educados  nas erudições europèias.
          E como o paìs jà era negro, a musica ficou. Cantada nas rodas, na manha dos mestres , nos quadris das mulheres. Desceu rua , subiu rua e se espalhou com pomposo nome de PARTIDO ALTO. Um nome , aliàs, que não poderia ser diferente para uma gente costumada à majestade , dos seus reis nagôs. 

 Texto tirado de uma revista que se chama : PARTIDO ALTO!
De um amigo que se chama : Fernando Damaceno